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entrevista para o canal LIVRADA!

entrevista que o jornalista Yuri RA do canal LIVRADA! fez comigo dia desses na casa dele.
falamos um pouco sobre literatura, sobre meu estilo de escrita e sobre meu último livro, O Cão Mentecapto, lançado pela ENCRENCA – Literatura de Invenção em maio.
confere aí!

 

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entrevista para A ESCOTILHA

Otavio Linhares: “O que não funciona no real, funciona no papel”

Escritor curitibano Otavio Linhares conversou com a reportagem sobre os temas que permeiam sua trajetória literária.

o esculpidor gazeta do povo

foto de Olívia D’Agnoluzzo

O curitibano Otavio Linhares é um dos escritores mais singulares de sua safra. Dono de uma narrativa lúdica e explorativa, o autor de O Cão Mentecapto extrapola os limites da narrativa do espaço físico da cidade – e também do livro. Sem se prender às normas e formalidade que regem a língua culta, Linhares consegue criar um texto que passeia entre seus próprios relatos e que, como não podia deixar de ser, é também seu próprio personagem.

Confira abaixo o bate-papo exclusivo que A Escotilha teve com o autor.



A Escotilha: Os seus livros, e em particular O Cão Mentecapto, têm um tom saudosista e nostálgico, retratando a infância, o começo da adolescência. Para você, a vida adulta é um fardo a ser carregado?

Otavio Linhares: Sinto muita falta da infância na fase adulta, da ingenuidade, do olhar estrangeiro da criança. Percebo que os adultos têm muitas dificuldades em lidar com seus desejos e anseios perante imposições que são sociais e que dentro do universo da criança não existem. Cor, credo, raça, por exemplo, são questões que para a criança não existem. Essas questões nos vão sendo colocadas dia após dia dentro de uma formatação cultural, e na forma como somos massificadamente educados muita coisa se perde. Adultos acabam deixando para trás seus sentimentos mais valiosos por necessidades que muitas vezes são falsas, por encaixes, por questões socioculturais que vão aparecendo e que cada um vai assumindo e digerindo de forma muito particular, e que, ao mesmo tempo, vão nos tirando motivos muito simples de alegria, de gozar a vida. Sempre que preciso me remeter ao mundo, primeiro me remeto ao olhar da criança. Ele é mais puro e despido de valores.

O Cão Mentecapto trata de temas do cotidiano, situações corriqueiras e encerra a Trilogia da Turbulência. A turbulência em questão é a rotina que nos consome ao passo em que amadurecemos?

O cotidiano nos estraga. Ficamos velhos dia após dia. A turbulência envolve, principalmente, nossos sistemas pedagógicos. Depende da forma como cada pessoa é criada e educada. O mundo que envolve cada um de nós. Geralmente é muito difícil crescer e amadurecer.

Nos três livros, você trata da burocracia em um tom kafkiano, aprisionador e que torna as pessoas apenas versões reduzidas de si mesmas. Essa influência me pareceu muito clara em “Casa”, conto de abertura d’O Esculpidor de Nuvens. Como é possível nos libertamos das amarras burocráticas?

A administração da vida cotidiana é um troço enfadonho e modorrento. Os sistemas de legitimação e administração da nossa vida tornam a própria vida um negócio chato de se viver. Pense no seu dia a dia. Pense no que acontece no seu cotidiano e elenque as coisas que não fazem sentido coletivamente, mas que mesmo assim existem. Sabe quando conversando em um grupo todos chegam a conclusão de que algo é inútil? Uma lei, uma forma de conduta, um certo existir no mundo, sabe? Quantas vezes me pego em conclusões do tipo “isso é mesmo necessário pra se viver?” e pensando nisso não entendo porque certas coisas existem. No fundo, tudo não passa de uma forma de controle. Como o panóptico desenhado pelo filósofo Jeremy Bentham que o Foucault vai retomar na década de 1970.

Você usa a figura do primeiro cigarro como metáfora para amadurecimento. Qual é a importância desse momento para você?

Tem a ver com o rompimento dos limites. Essa coisa que eu falando das pedagogias e dos sistemas educacionais nos colocam tantas amarras, que uma criança ou um adolescente só tem a possibilidade de dar voz a seus desejos se romper com o estabelecido, com aquilo que lhe é imposto. Catar o cigarro do chão e dar uma tragada é, ao mesmo tempo, um desejo que brota das entranhas e também um rompimento com o estabelecido. Imitar a figura amada, no caso a figura do James Jean, praquela criança é tornar-se adulta e poder dar vazão a seus desejos.

‘A literatura pra mim sempre foi a válvula de escape. A libertação. A possibilidade de conquista do infinito, do impossível.’

No texto que encerra O Cão Mentecapto – por sinal, um conto é homônimo a um relato do Cortázar –, você brinca com a noção espacial do livro. Quais as possibilidades lúdicas da literatura?

O fim de jogo na verdade veio do Beckett. Conheço o texto do Cortázar, mas a referência sempre foi o Beckett. no primeiro conto a ideia de que o ser humano é apenas um lóque se equilibrando numa corda esticada ao chão achando que é um exímio acróbata no alto de um prédio. no prefácio do fim de partida essa ideia. A literatura pra mim sempre foi a válvula de escape. A libertação. A possibilidade de conquista do infinito, do impossível. Quando uma coisa não funciona no real, funciona nas palavras postas no papel. Postas e dispostas de formas variadas e ilimitadas. Tão ilimitadas que cada um, num processo rizomático, faz daquilo o que bem quer. E na vida não é bem assim.

Falando ainda dos limites da literatura. Você transgride os gêneros e cria que não precisam se encaixar em convenções. Isso é uma necessidade ou sua narrativa converge naturalmente a essa ruptura?

É uma necessidade e ao mesmo tempo uma pesquisa estética. Estética no sentido de existir no mundo. Escrever dessa forma me faz sentir a vida pulsando dentro do corpo. Não me importo com gêneros e restrições. Muito pelo contrário. Não sou eu que mando. Se as coisas acontecem assim é porque devem acontecer assim. É uma resposta ao mundo. A única forma possível das coisas acontecerem através de mim. É um processo autoral e muito específico. É uma luta constante. Fazer diferente. Não repetir os antepassados. Usar o que já foi feito como catapulta pra uma coisa nova nascer pra renovar o ser humano. Pra dar mais gás pra seguir em frente.

Leia resenha de ‘O Cão Mentecapto’
» Tomando tubão na terra do leite quente

Alguns de seus contos passeiam nos outros livros – e isso é muito interessante. Por exemplo, “O Cão Mentecapto” é um relato que está em Pancrácio, mas que faz parte também do volume ao qual dá título. Como surgiu essa ideia de fazer um texto transitar entre suas obras?

O primeiro livro, Pancrácio, era apenas a novela do início, mas aí o Leprevost revisando o texto virou pra mim um dia e falou que tinha de ter umas coisas no fim, tipo um livro que ele tinha lido que eu não me lembro. Paulo Henriques Britto ou João Gilberto Noll, talvez. Enfim. Ele disse “bóta lá uns textos mais recentes. Coisa nova. Pras pessoas verem pra onde indo tua literatura”. Na hora curti pra caralho a ideia e meti no fim alguns textos que eu já tava desenvolvendo pro projeto seguinte, que era O Esculpidor de Nuvens. Depois, pensando melhor, vi que essa conexão era interessante tendo em vista que os três livros estariam conectados por um mesmo fantasma, que é o narrador principal em todas elas, mas em idades diferentes.

Nesse sentido, sua escrita é enxuta e despida de pontuação de perfumaria. Por que essa escolha?

Essa foi a parte mais difícil do processo. Antes do Pancrácio eu já tinha escrito umas mil páginas de umas estórias do detetive Linhares. Eram estórias engraçadas e tal, mas que esteticamente dialogavam com textos já conhecidos da grande literatura. Eram textos de fã. Textos ainda muito simplórios que imitavam procedimentos usados por grandes escritores. Rubem Fonseca, Pedro Juan Gutiérrez, Antônio Lobo Antunes, e por aí vai. Lia os caras e queria ser igual eles. Não funciona. Artisticamente não funciona. Não dá pra querer fazer um troço que já foi feito e que todo mundo conhece. Eu precisava dar um salto pra algum lugar onde ninguém tinha saltado. Pelo menos dentro do que eu conhecia de literatura. Então comecei a procurar novos procedimentos.

Aí, nessa época abriu o Núcleo de Dramaturgia do Sesi com a coordenação do Roberto Alvim, que é um dramaturgo e diretor que tem um teatro lá em São Paulo. Com o Alvim a coisa mudou drasticamente de figura. Ele nos apresentou textos dramatúrgicos de diversos autores de diferentes épocas e lugares do mundo e sempre com a premissa de que cada autor deveria encontrar sua voz autoral. Então tudo o que era escrito era lido e criticado pelos alunos e ali foi possível ver como os meus procedimentos eram imitativos ou gastos.

Durante três anos fiquei buscando uma forma de expressar no papel algo que fosse interessante, pelo menos pra mim. Foi aí que saquei que o uso das pontuações na minha literatura tornava os meus textos lentos e chatos. Explicativos demais. Talvez um velho vício ainda dos tempos acadêmicos. Aí fui experimentando e errando, experimentando e errando, até perceber que o problema eram as vírgulas. Elas deixavam os textos lentos e explicativos demais. Então saquei fora as vírgulas. E foi aí que nada mais funcionou. Porque não bastava sacar as vírgulas. Era preciso tornar as frases interessantes. A poesia foi quem me ajudou bastante nessa hora. O formato poético e musical das frases. Foi aí que entendi que uma palavra tinha de puxar a outra causando uma necessidade de existência da frase. Daí pra compor um livro inteiro foi mais três anos de pesquisa.

 Quando você escreve pensa na formatação em livro ou o objeto físico é mera formalidade à qual cabe o texto?

Tudo vale na hora de por o texto no papel. Não é o cérebro que escreve, no sentido de racionalizar o processo. A dramaturgia me ensinou que se você precisa deixar um espaço em branco pra que o leitor sinta o espaço que há entre uma coisa e outra, então você deve deixar o espaço em branco e criar esse respiro. Essa é a questão estética de cada pessoa que escreve ou compõe uma obra no sentido artístico. Essa demanda é muito pessoal e não tem explicação. Lembro que uma vez alguém me disse assim: “quando não for mais possível escrever, coma o papel”. Acho que tem a ver com isso. Não ter medo de fazer e não querer agradar ninguém. Ler o texto em voz alta pra mim, por exemplo, ajuda bastante a entender a musicalidade das palavras pra saber se elas estão bem encaixadas ou não. Se dá tesão falar e ouvir o texto, então dá tesão lê-lo.

Em Pancrácio, você diz que “a guerra é a mãe de todas as coisas”, o que me remeteu a um trecho de “A Canção do Senhor da Guerra”, da Legião Urbana (“uma guerra sempre avança a tecnologia…”). Seria a existência a busca constante e inalcançável da paz consigo e com os demais?

Não sei. Pra mim, o conflito funciona como forma de expressão. Gosto do conflito, da vivência, da experiência no corpo das situações que transcrevo. É preciso romper o metron. Romper a estrutura estabelecida, o tradicional. Alcançar níveis jamais vistos ou sentidos. Se dispor ao desconhecido. Ouvir a voz demoníaca que sussurra na intimidade isolada e surda de cada um. Se colocar no lugar do outro. Habitar outras intimidades. Habitar o outro. Pode parecer horrível todo esse processo, em princípio, e talvez seja. Mas o que pode parecer horrível muitas vezes é um exercício de amor. Fazer arte é um exercício de amor ao outro.

SERVIÇO | Lançamento de ‘O Cão Mentecapto’, de Otávio Linhares
Onde: Arte & Letra | Alameda Dom Pedro II, 44 – Curitiba/PR;
Quando: Sábado, 06 de março;
Quanto: Entrada gratuita / Livro: R$ 36,00;
Onde comprar: http://www.arteeletra.com.br/product-page/o-cão-mentecapto

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crítica de O CÃO MENTECAPTO

Tomando tubão na terra do leite quente

No ótimo ‘O Cão Mentecapto’, Otavio Linhares nos apresenta memórias de uma infância nostálgica e brutal numa Curitiba repleta de violência e solidão.

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O CÃO MENTECAPTO

foto da Carol Winter para capa do meu próximo livro (O Cão Mentecapto) que será lançado em maio de 2017 pela Encrenca – Literatura de Invenção.
com este livro eu fecho uma gestalt na minha trajetória de escritor. junto com Pancrácio (2013) e O Esculpidor de Nuvens (2015) eu consegui dar voz a um esquema estético onde poesia e prosa se enlaçaram imprimindo à leitura mais dinâmica e velocidade. foi uma experiência e acho que deu certo felizmente. será um livro composto de 17 contos mais longos diferentes dos textos curtos dos outros dois livros.
mais informações em breve.
valeu!

foto de Carol Winter

foto de Carol Winter

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BASQUETEBOL

são as estátuas de ninguém. esses bustos de praça são um embuste. mortos que insistem em sobreviver nas lembranças. foram os vivos que os colocaram ali. é. eu sei. paro na frente de um deles e grito você já era! ele nem dá bola. fique aí com essa sua cara de! fico quieto encarando a estátua de pedra. cara do que mesmo? sei lá. de impávido colosso. um pombo vem e faz cocô no busto. hahaha! bem feito. a titica escorre da cabeça ao peito passando pelos olhos. olha lá! lágrimas de cocô. hahaha! só que não é cocô. lembra como é o sistema defecativo nos pássaros? sistema digestório. o xixi se mistura com o cocô e vira essa papinha liquefeita que escorre e por isso não sai durinha. lembro. é a história da cloaca né? sim. a cloaca. fala de novo. o que? cloaca. cloaca. o que te lembra? nada especial. sempre que penso numa cloaca lembro das aulas de ciências da professora lurdinha e daquela menina cdf que sentava bem na frente e sempre respondia tudo o que a professora perguntava. a professora mal terminava de fazer a pergunta e ela já tava lá com o dedão em riste apontando pra cima com um sorrisinho cínico na cara se achando a última coca do deserto. às vezes me dava vontade de. do que? de beijar a boca dela. penso. de estufar ela. digo. como era o nome dela? não lembro direito. começava com d. daniela? não. desdêmona. não. deise. não. nossa! da onde você tirou desdêmona? tinha uma guria na pré escola que tinha esse nome. ela era grande e forte. empurrava a gente na balança melhor do que qualquer um. sempre quis namorar com ela por causa da sua força. acho que é com b. betina? não sei. nunca vou lembrar. era um nome diferente que só ela tinha no colégio. e o que ela tem a ver com a cloaca? não sei. o nome dela talvez. você era afim dela né? é tão nítido assim? aquele dia que ela foi visitar o colégio na feira de ciências depois de nove meses sem aparecer ela perguntou por você e você tava ensaiando a dança de educação física do final do ano. foi na feira de ciências? ela rodou o colégio inteiro atrás de você. ela me viu. acenou lá do parapeito na frente da nossa sala. eu tava lá embaixo e a vi passando. e porque você não foi lá? por causa da cloaca dentro da minha cabeça. hahaha! ela riu. eu ri. ela tirou mais um cigarro da bolsa e fumamos. dois tragos de cada um. quem acende não pode terminar. ok. terminei o cigarro e mirei a bituca no lixo. quer apostar que eu acerto? aposto um cigarro que você acerta. ok. adoro sua positividade. lá vai. ele arremessa a bituca que voa em direção à cesta quando o cronômetro é zerado e soa a campainha PÉÉÉÉÉ!!! a torcida está apreensiva. o chicago perde por um ponto e se o arremesso cair ele ultrapassa o los angeles e leva o título nacional. silêncio nesse momento. a apreensão toma conta de todos os presentes no estádio. a cidade se cala diante da iminência do primeiro título. a bituca descreve uma parábola perfeita sobrevoando a calçada. os carros passando devagar e o barulho da cantoria dos pássaros e o farfalhar das árvores fazem o pano de fundo para uma situação ímpar que em breve deve se consumar no maior fato histórico de chicago. meu coração dispara. estou prestes a acertar um arremesso dessa distância pela primeira vez. talvez esse seja meu primeiro título. até alguns anos ninguém acreditava que isso seria possível. todos duvidaram da escolha do menino franzino e magrinho que veio do interior para tentar a vida no clube da capital. a bituca gira e gira e gira espiralando no ar feito um marimbondo de fogo e PLAW! dá bem no aro do latão de lixo fazendo um barulhão igual ao do tambor do cara da orquestra que a gente foi ver semana passada. acho que era vivaldi. as quatro estações. nessa hora começo a achar que tudo está perdido e que vou ter de voltar pro interior onde meu pai me aguarda pra trabalhar na sua loja. ele sempre encheu o saco pra que eu não fosse embora mas minha mãe apostou em mim e ainda me deu uma grana pra passagem e pra uns meses na quiçaça que eu divido com mais três até hoje. o pai tem uma vendinha de bugigangas lá na cidade. é meio padaria meio banca de revista meio mercearia meio farmácia. é meio de um tudo. o vô pai do meu pai se orgulhava tanto dessa loja que dizia que daqui ninguém sai de mãos abanando! era o slogan dele. tinha até numa camiseta e num boné que ele usava de vez em quando. mas isso foi há muito tempo. o pai não entende que as coisas passam e que é preciso renovar. ele quer seguir como o pai dele e quer que eu siga junto. só que toda vez que eu entro naquela loja tenho a impressão de que meu vô se atirou em um rio com uma corrente amarada aos pés com um bola de ferro no colo e que essa corrente está amarrada aos pés do meu pai e que ele vai se jogar no mesmo rio e quer a qualquer custo que eu me atire com ele. sempre que entro na loja e olho pra baixo vejo a tal corrente nos meus pés então saio correndo pros braços da minha mãe que com um toque angelical faz tudo desaparecer. caralho! todo mundo já usa um computador pra anotar as coisas e o pai ainda tem aqueles cadernos velhos de capa de couro pra anotar as vendas! é foda vê-lo sentado lá com aquele bonezinho e aquela camiseta com seus lápis e borrachas e todo mundo andando por aí com disquetes nas mãos. a bituca sobe transversal 90° ao aro e como se deusas do basquete estivessem nos assistindo nesse momento a bituca desce na vertical tocando o aro novamente e um vento que passava por ali assim meio que despercebidamente toca de leve o toco de cigarro que meio sem saber o que fazer é forçado a cair para dentro do abissal buraco do saco preto. fatídica e maravilhosamente podemos agora gritar de alegria e abraçar qualquer pessoa que estiver passando na rua. vai! grita! NÓS SOMOS CAMPEÕES! o chicago bulls vence o los angeles lakers pela primeira vez. nos abraçamos comemorando muito a vitória do nosso time do coração e eu acabo ganhando um beijo na boca. ela me olha espantada. desculpa. digo. quer dizer. penso. quer dizer. estou confuso. então fico quieto. mentira. falo sem parar um monte de asneiras. ela sai correndo. volta aqui! me beija mais! penso. fico parado no meio da rua sem entender e sem saber o que dizer. lá da esquina ela grita parabéns! adorei ser campeã com você. meu coração dispara. tenho uma parada cardíaca e morro. mentira. mas é como se fosse.  começo a correr sem direção pelas ruas ali do bairro. corro corro corro até que as pernas se jogam num gramado e eu caio de costas e vejo estrelas sorrindo pra mim. grito. não. não grito. é tarde. levanto e saio caminhando de volta pra casa. ela me beijou. sim! ela te beijou! porque se ela não tivesse feito isso talvez você nunca fizesse não é mesmo? é verdade. rimos. um velho sai na janela e pede silêncio. vai tomar no seu cu seu velho filho da puta! não sei porque gritei isso. saio rindo e correndo de volta até chegar em casa. me jogo no sofá ainda atordoado com o beijo que ela me deu. devagarinho fico respirando o cheiro do perfume dela que ainda está no meu rosto e no meu pescoço onde ela agarrou. queria conseguir guardar esse cheiro pra sempre. cheiro ele o máximo que posso até que ele some. ligo a tv e o chicago está comemorando seu primeiro título de basquete.

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Café, Literatura

Prêmio CLAP

Acabou de sair o resultado do Prêmio CLAP – PREMIOS INTERNACIONALES DE DISEÑO INDUSTRIAL Y DISEÑO GRÁFICO. E a Arte & Letra e a Encrenca – Literatura de Invenção foram premiadas em 2 categorias!!!

– 1° lugar na categoria MELHOR ILUSTRAÇÃO APLICADA A PEÇA PUBLICITÁRIA com os cartazes dos cafés da Arte & Letra, com ilustrações do Frede Tizzot.
– E na categoria MELHOR PROJETO GRÁFICO DE LIVRO DE TEXTO, o livro Arquitetura do Mofo (ENCRENCA / 2015), do Alexandre Gil França, também com projeto do Frede Tizzot, entrou para a Seleção Clap dos 4 melhores projetos, ficando em 2º lugar.

Veja mais sobre o prêmio aqui: http://premiosclap.org/ganadores-2016

Capa e Projeto Gráfico de Frede Tizzot

Capa e Projeto Gráfico de Frede Tizzot

 

Ilustrações de Frede Tizzot

Ilustrações de Frede Tizzot

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